sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Todxs concordam, isto está prestes a explodir!


Todxs concordam, isto está prestes a explodir!




Na manhã do dia 05/11/2012 nos deparamos com uma notícia, que sob vários aspectos reflete o quadro miserável da vida cotidiana sob a civilização heterocapitalista: um corpo biopolíticamente associado ao gênero mulher foi agredida por um ex-companheiro. Entretanto, não foi uma agressão qualquer, em primeiro lugar porque conhecíamos intimamente o agressor. “Treta-se” de Gustavo Oliveira (xGustavinhox - Nieu Dieu Nieu Maitre e Holodomor, MPL-PR e CMI-PR, Ocupação Social J13), um atual ex-companheiro de lutas de  longa data (nem tão longa assim). Outro aspecto importante para nos atermos é que trata-se de uma agressão feita por uma auto-proclamado anarquista. Isso serve, antes de mais nada, para nos chamar atenção de que as identidades (mesmo as mais radicais) podem servir para mascarar assimetrias de poder, esconder os lugares de fala, mais do que se posicionar frente a uma situação. As famosas “carteiradas” (“Mas eu sou anarquista”, “Que nada, elx é queer”), são, muitas vezes, a materialização tragicômica de uma covardia política, que esconde o seu medo e seus autoritarismos atrás de uma pretensa tradição política respaldada. A questão que Michel Foucault traz, pulveriza essa prática tacanha, ao colocar a dimensão das práticas (cotidianas) à tona e ao explicitar os papeis potencialmente covardes das identidades: “Como fazer para não se tornar um fascista, mesmo quando (sobretudo quando) se crê ser um militante revolucionário?”


Devemos tirar também algumas lições dessa situação lamentável. Algo que ficou bem claro aqui, é que algumas formas de autoritarismo não passam pelo crivo sagrado da esquerda: o econômico. Simplesmente substituir o modo-de-produção capitalista e o Estado pela Autogestão e Socialismo Libertário, respectivamente, não é o suficiente. A heterossexualidade como regime político nos mostra isso, ao criar mais um algoz e uma sobrevivente. Trata-se aqui da ordem da produção de desejos, das subjetividades e das relações cotidianas: é exatamente aqui que começa também a resistência!


E mais, não devemos encarar isso como um ato de “um monstro”, um “surto psicótico” e muito menos como uma “briga de casal”, isoladas no espaço-tempo, entre uma vida relativamente serena. Aqueles que agridem companheirxs ou os que estupram mulheres ou espancam travestis e homossexuais não são “monstros” que “surtaram”, são um fruto ‘normal’ e previsível de uma sociedade que produz e regula - normatizando, normalizando, patologizando, marginalizando e excluindo - performances de gênero que reproduzem padrões binários de masculinidade e feminilidade e de heterossexualidade, em outras palavras, são fruto da heterossexualidade como regime político. Podem ser o seu vizinho, o seu pai, a sua chefe, ou mesmo seu companheiro de coletivo.


Em primeiro lugar, queremos aqui, mesmo que através das mediações tecnológicas e simbólicas (com todas suas friezas e contradições), prestar solidariedades e apoio x companheirx Paula. Imaginamos (sim, não temos a falsa pretensão de se colocar no lugar de umx sobrevivente. Somente elx sabe o que passou!) o quão difícil deve ser ter de lidar com esse tipo de situação. Vergonha e medo da reação de parentes, amigxs ou mesmo da polícia, ao fazer o B.O. (Aliás, lidar com a polícia em si, já é um caso a parte). Ter de se explicar a todo momento, já que a Cultura de Estupro faz um verdadeiro escárnio dx sobrevivente: colocando sempre em cheque a veracidade de seu discurso. Ter de lidar com possível represálias e etc.


Sabemos que estamos distantes subjetiva e geograficamente, entretanto, achamos necessário mostrar que, mesmo que minimamente, estamos dispostxs a ajudar, nem que com palavras; aliás, não negamos o poder das palavras, ainda mais numa sociedade onde as pessoas parecem não compactuar de uma linguagem comum. Falamos aqui, a linguagem dxs subalternxs, excluidxs, submetidxs, espancadxs, ridicularizadxs, desacreditadxs; a linguagem que combate a heterossexualidade como regime político (e todas as formas de dominação e assujeitamento) no cotidiano; a linguagem da solidariedade e do apoio; falamos uma linguagem menor. 


Mais preocupados com o falatório do que com qualquer outra coisa, os R2-D2 lançam-se, acotovelando-se para ver quem dá o comentário mais ácido pelos seus Blueberrys: “Quero ver o que os amigos dele vão dizer agora!” “Eu sabia, ele sempre foi um babaca”. Parece que a preocupação em apoiar x sobrevivente e a responsabilização do agressor é só um mero acaso, um detalhe que se responde assim que alguém te chama atenção no mural do Fachobuk. E xs oportunistas também aparecem nessa hora: todxs querem ser xs bastiões do Apoio. Existem até aqueles que fecham os olhos para agressões que acontecem ao seu lado, com amigos agredindo suas namoradas, mas que agora, quando é em outra cidade, outro estado, não perdem tempo em prestar sua “solidariedade” e denunciar o agressor! O falatório, assim como o oportunismo é um fenômeno pequeno-burguês, como diria Walter Benjamim, e héterocapitalista, acrescentaríamos nós. Ele não fomenta discussões, não gera apoio e nem oferece soluções, somente garante diversão pra classe média branca, cis e heterossexual e exatamente por isso deve ser combatido!


É extremamente necessário que nesses momentos, nos foquemos no apoio x sobrevivente. Sua palavra tem de ser – acima de qualquer coisa – encarada como verdade, se queremos de fato escapar das reterritorializações da Cultura de Estupro. Apoio psicológico, subjetivo e afetivo é essencial para a sobrevivente e todos os meios são encorajados (especialmente por parte de amigxs): carinhos, telefonemas, cartas, acompanhar em idas a delegacia ou passeios para relaxar, até mesmo presentear com spray de pimenta e facas etc. Aquelxs que estão próximos do agressor devem tratar de responsabiliza-lo e esse processo de responsabilização é amplo e demorado. Fazer o agressor, em primeiro lugar, compreender as consequências materiais que sua agressão heterossexista provocou nx sobrevivente e à sua volta é o primeiro passo. Daquelxs que não são próximos dx agressor a responsabilização vem de outras formas: denúncias, cartas abertas, escrachos, atos, até mesmo uma ação direta, dependendo do caso. Obviamente, se há alguma proximidade com a sobrevivente, é interessante que se consulte a opinião delx, para saber até que ponto elx concorda com os métodos e com o tipo de ação que será levada a cabo.


Não temos a pretensão nenhuma aqui. Somente sentimos a necessidade de expor nossa solidariedade e apoio para com x sobrevivente, fazer algumas reflexões mais gerais sobre o ocorrido e compartilhar alguns possíveis caminhos para ajudar a lidar com essa situação. É importante que pensemos como podemos ajudar afetiva e materialmente nesse tipo de situação. É preciso que pensemos em nossas relações cotidianas, e avaliemos se em alguma medida, estamos reproduzindo performances heterossexistas que levam a situações como essas, de modo que evitemos agressões como essas. É preciso que cuidemos de nós, de nossxs amigxs, companheirxs, de nossa comunidade e de nossa manada! “Nenhuma agressão ficará sem reposta”, mais do que um jargão empoderador, deve funcionar como um propulsionador político, que estimula ações concretas de apoio, responsabilização e de combate anti-heterossexista, aqui e agora!



Paula, conte conosco!!!

Heteronormais, nos vemos nas ruas...


Atencionsamente:

Departamento de Terrorismo Performático de Gênero
Coletivo Bonnot

segunda-feira, 28 de maio de 2012




A próxima edição do evento "Margens da Cidade: das favelas às ocupações urbanas" contará com a participação de:

Luiza: Quilombo das guerreiras

Jorge: Vila Recreio II

Mauricio Campos: Rede contra a violência.

Será no Instituto de Medicina Social - IMS da UERJ, no sétimo andar, sala 7001. Dia 06 de junho de 2012 às 18hs.
Grande abraço e esperamos tod*s.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Somos Quilombo Rio dos Macacos



Doações todas as quartas no Sarau Bem Black em Salvador. http://saraubemblack.blogspot.com.br/

sexta-feira, 16 de março de 2012

Civilização e identidade

O nascimento da civilização não se deu apenas no plano das técnicas, com a sedentarização, domesticação, sistemas de irrigação e distribuição de produção. O nascimento da civilização é o nascimento de uma identidade. Inicia-se a história. Separe-se no momento de sua aurora o “Eu” civilizado do “Outro” selvagem/animal. A organização do pensamento religioso é uma ilustração para tal afirmação. Diz-se que mesmo no Paleolítico já existem referências a um mundo sobrenatural. Afirma-se isso por meio de pinturas rupestres interpretadas como deuses de
fertilidade/fecundidade. Nestas aparecem figuras que se assemelham a uma mistura de seres humanos com animais, figuras de animais enormes e figuras do que poderia se chamar de Deusa-mãe. Por vezes essa aparece em posições sexuais com animais ou mesmo seres híbridos. Tais pinturas, além de mostrar o desenvolvimento de um pensamento abstrato nos seres humanos “fora da história”, permitem a visualização de uma relação na qual é difícil separar o “eu” ser humano do “outro” animal/floresta. Uma relação na qual vê-se, por exemplo, uma relação entre humano e animal não humano de temor, enfrentamento, mas também mistura, apreciação, reflexo.


Com o Neolítico, as figuras se transformam: os animais não humanos, agora domesticados, passam a um papel marginal. Caracterizam-se de maneira efetiva deuses, não só se assemelhando a seres humanos, mas a homens. O pensamento abstrato civilizatório se constrói,
também, por meio da construção de uma identidade e da afirmação de uma identidade de homem civilizado. Aquele mesmo que se assemelha aos deuses. O conjunto de deuses especializa-se. Cada gérmen de cidade possui seus deuses específicos, por vezes o combate entre deuses torna-se o combate efetivo entre cidades. A abstração e a realidade imbricam-se. Os seres humanos cada vez mais se especializam. Ou seja, a forma igualitária de relação entre integrantes de um bando e suas atividades é suprimida por identidades/especialidades. Não somos todxs caçadorxs-coletorxs, “sou” sacerdote, “sou” agricultor, “sou” soldado, “sou” artesão, “sou” rei. Importante salientar que as especialidades/identidades não se afirmam horizontamente, mas se impõe violentamente uma sobre as outras. Afinal, quando se estipula o “eu” estipula-se o “outro”.

Tal construção de identidades assume um caráter multilinear. A construção da identidade civilizatória é sempre uma submissão a uma força externa e uma submissão a uma suposta essência interna. Aquele que se assume como rei, é compreendido como rei, pois é submetido à identidade “rei” pelos deuses. (Apesar de poder em alguns casos se assemelhar a um deus, o rei, hierarquicamente, ainda é submisso a esses). Aquele que se assume “súdito”, é compreendido como súdito pelo rei e pelos deuses. As identidades/especialidades se hierarquizam violentamente por todo o desenvolvimento do que conhecemos como civilização. Mas em algumas comunidades o sobrenatural ainda permite afirmar que depois da vida aquele que é súdito e aquele que é rei podem habitar o mesmo terreno dos mortos. Um “paraíso” que assemelhasse a uma recompensa pela vida de súdito e, ao mesmo tempo, um “paraíso” que legitima a subordinação.

Passa-se assim de forma grosseira para os tempos atuais, nos quais as identidades se multiplicam, assim como se multiplicam as formas de coloca-las expostas ao julgamento ou apreciação de outras identidades. Mesmo nos agrupando sob “comunidades” (“somos” ciclistas de fixa, “somos” fora-do-eixo, “somos” isso, “somos” aquilo) o que ocorre ainda é uma submissão a uma certa identidade e sua respectiva afirmação sobre outras identidades. Mesmo por meio de uma identidade “comum” o comum se perde. Mesmo existindo uma liberdade de escolher “quem eu sou” ainda estamos presos à necessidade de dizer “eu sou”.



A continuidade do papel da identidade no Neolítico, nos Impérios Despóticos, nas cidades gregas, aquele que liga o “eu” interior ao “eu” no mundo social, ou seja, aquele papel de definir a partir de quem “sou eu” o meu status social e meus respectivos méritos mantem-se vivo nos tempos atuais. O que diferencia nossos tempos atuais é a multiplicação de formas de afirmação/submissão ao “eu”. Exemplo são as diversas redes sociais e os diversos dispositivos que podem nos manter conectados quase que permanentemente a essas identidades. Nesse caso, em tempos de deus-capitalismo, nossas identidades tornam-se diretamente cifras para o rei-facebook.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Pela Moradia

Sítio que faz convergir as diversas informações sobre a luta por moradia no Brasil. De grande importância para verificarmos que o que aconteceu em Pinheirinho, por exemplo, acontece também no Rio, em Salvador, em Porto Alegre e por aí vai. O que demonstra que a resistência urbana deve ser local, mas solidária e integrada às outras lutas regionais.

http://pelamoradia.wordpress.com/

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Atividade sobre gentrificação e as transformações urbanas no Brasil em Rouen (França)

O objetivo da atividade é apresentar algumas das últimas estratégias
do poder privado e público na gestão da cidade do Rio de Janeiro. As
transformações urbanas consequência das Olimpíadas e a Copa do Mundo
são apenas um exemplo dentre muitos: como as UPPs, a revitalização da
zona portuária, o choque de ordem, entre outras. Um processo amplo de
expulsão dos pobres e gestão da cidade visando o mercado financeiro
global. Além de apresentar essas estratégias esperamos poder trocar
ideias sobre os processos de gestão urbana e gentrificação e as formas
de resistência existentes e possíveis.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O caso Pinheirinho

O terreno no qual foi construída a comunidade Pinheirinho faz parte da massa falida da empresa Selecta de Naji Nahas. Inicialmente, para tratar de tal caso, precisa-se desfazer o mito de igualdade de oportunidades. Principalmente em um país historicamente marcado pelo colonialismo e pela escravidão como o Brasil. Peter Singer expõe que “a igualdade de oportunidades é praticamente irrealizável”, devido às diferenças de capacidades, contextos, histórias, e deixa clara a necessidade de “tratamento preferencial a membros de grupos menos favorecidos” (Singer 2009, 54). No caso tratado temos os interesses de famílias que buscaram ocupar uma área abandona para construir suas moradias na periferia da cidade de São José dos Campos e do outro lado temos os interesses de um especulador financeiro que chegou ao país com “ao menos 50 milhões de dólares para investir” (Carta Capital 2012). No conflito entre um interesse fundamental, a moradia, de milhares de pessoas e interesses financeiros do dono de uma empresa falida, prevaleceram esses últimos.

Por quase uma década, mais de cinco mil pessoas moravam na comunidade Pinheirinho. No dia 22 de janeiro de 2012. A operação com mais de mil indivíduos da polícia militar do estado de São Paulo e da guarda municipal da cidade de São José dos Campos se iniciou às seis da manhã de um domingo. Não só sem aviso prévio, mas em desrespeito a um acordo prévio que adiava a reintegração de posse e a uma decisão da Justiça Federal contra a desocupação. A operação deu-se com a utilização de bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e há relatos de tiros de armas de fogo, assim como de morte de moradores.

Diversos relatos, matérias, fotos e vídeos difundidos pela rede de computadores expõem a desproporção da ação policial, que contou com helicópteros e com a tropa de choque. Do outro lado, pessoas correndo com alguns poucos pertences, tentando se proteger dos ataques. Mesmo a anterior elaboração para alguma resistência por parte das pessoas moradoras, que se constituía por materiais improvisados, como galões de plásticos e antenas transformados em escudos, possuía um valor simbólico maior do que prático, tendo em vista que não podia se comparar aos aparatos não letais e, como visto em vídeos e relatado pelos presentes no desalojo, letais da polícia. Além desse fato, tal resistência não se deu efetivamente. Um acordo que suspendia a reintegração de posse por 15 dias - conciliado entre advogados das pessoas moradoras de Pinheirinho, representantes políticos federais e estaduais, e representantes da massa falida da empresa - tranquilizou momentaneamente as pessoas, desestruturando uma possível resistência e incidindo, às seis horas da manhã de um domingo chuvoso sem avisos prévios, sobre as famílias que residiam no local. “O elemento surpresa foi o sucesso da ação, segundo a PM” (Estadão 2012).

A urgência da reintegração de posse não foi justificada por nenhuma das instâncias envolvidas. Divulgado em sítio virtual de notícias (G1 2012), o governador de São Paulo afirmou que não havia outra opção senão acatar e executar a decisão judicial: “A decisão é uma decisão judicial, que a polícia é requisitada para fazer a execução”. A afirmação aplica à situação um tom meramente prático, ou seja, em detrimento ás questão ético-políticas imbricadas no caso. O prefeito da cidade de São José dos Campos afirma em vídeo divulgado no sítio virtual da prefeitura, originalmente publicado virtualmente por sítio de notícias (Vnews 2012), que existem “ 250 famílias em abrigamento”. Como também que “o número é de 2850 pessoas e não de 8000 como eles [movimento social] disseram esses anos todos”. Afirmações que parecem buscar uma amenização dos fatos por meio da redução do número de pessoas atingidas, acabam por demonstrar a desproporção ainda maior da ação da polícia estadual e municipal.

A tentativa dupla de amenizar as ações governamentais e desqualificar o movimento social se desenvolve no discurso do prefeito. Sobre a discrepância dos números apresentados pelo movimento social e parte da mídia ele afirma que “como era um gueto no qual ninguém podia entrar ninguém podia conferir esse número”. Alastra-se a partir de tal discurso aquele elitismo de defesa das áreas tidas como civilizadas, ou seja, “castelos neo-feudais, [...] enclaves fortificados” (Santos 2010, 45) das classes privilegiadas, na qual a circulação é controlada, mas com o objetivo de proteger aqueles indivíduos ricos dos conflitos urbanos, esses que as classes mais pobres são obrigadas a enfrentar.

Essa tentativa de desqualificação não tem como origem apenas as instâncias oficiais envolvidas, mas também a mídia tradicional. Em blog vinculado à revista Veja, sugere-se que existia uma “milícia ideológica” (Azevedo, 2012) que dominava área da comunidade. Sem nenhuma fonte exata ou relato específico o autor do blog se coloca ao lado da “verdade”: “a verdade liberta, sempre. A mentira mata em silêncio”. Importante salientar, que o título do texto postado é “Você não verá na imprensa politicamente correta”. Tal título se compreende ao ler alguns artigos publicados na revista Veja pelo autor do blog. Termos como “esquerdopata”, “esquerdismo bocó”, “ideólogo” repetem-se, assim como “petistas”. Torna-se explicita a posição do autor como “oposição” na tradicional batalha entre os que estão no poder e os que querem o poder. Tal posição coloca-o na situação de “provocador”, antes figurada pelos atuais governantes. Ou, como já mostrado, daquele que supostamente está ao lado da verdade, não da ideologia. Importante salientar que tanto esquerda quanto direita mantêm-se vivas devido à democracia representativa, aquela na qual os indivíduos não podem tomar decisões políticas efetivas e diretas (como no caso de uma ocupação), mas meramente podem optar por um político profissional para representá-los. Na tradicional batalha entre esquerda e direita, entre políticos e ideólogos profissionais de ambos os lados, a população acaba subordinada e suas lutas tornam-se plataformas partidárias, ao serem criticadas ou mesmo defendidas. Dessa forma, ressalta-se que a defesa dos interesses das pessoas moradoras da comunidade Pinheirinho não está associada diretamente à legitimação de todos os grupos e práticas presentes no local. “A diversidade moral define a condição humana” (Engelhardt 2009, 26). O moralmente ilegítimo encontra-se em grupos ricos e pobres, condomínios fechados na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro ou em Alphaville em São Paulo, ou nas favelas e ocupações urbanas. A ilegitimidade de algumas ações, como o suposto pagamento a uma “milícia ideológica”, não torna o interesse por moradia ilegítimo. Como também não torna ilegítimo o ato de adentrar em uma área abandonada, sem cumprir nenhuma função social, e solucionar o problema de moradia de milhares de pessoas.

Ao tentar não personificar o caso sob a figura do especulador envolvido em fraudes e corrupção, ou mesmo não remeter à infrutífera batalha entre esquerda e direita pelo controle de um sistema político no qual a defesa dos interesses da população pobre não é questão relevante, o que se apresenta é o modelo de cidade global. Aquele que expulsa de suas moradias os grupos mais suscetíveis, ou seja, os grupos mais pobres, de acordo com interesses financeiros de grupos privilegiados. O caso de Pinheirinho pode ser compreendido como o mais próximo do extremo dentre diversos casos, como o do bairro da Luz em São Paulo e das ocupações e favelas desalojadas e parcialmente removidas no Rio de Janeiro.

Os casos citados possuem em comum diversas denúncias de inconstitucionalidade e violação de direitos humanos, mas seu desenvolvimento é mantido. Tais casos exemplificam a formação do campo: espaço de suspensão do ordenamento normal e a “materialização do estado de exceção” (Agamben 2002, 181). Sobre o campo “qualquer questionamento sobre a legalidade ou ilegalidade daquilo que nele sucede é simplesmente desprovido de sentido” (Id, 177). Ele está fora do ordenamento jurídico normal, mas como espaço no qual o estado de exceção é permanente, o que o comanda é a decisão soberana sobre as vidas presentes nesse campo. Seus soberanos provisórios são os policiais com seus sprays de pimenta, bombas de efeito moral, armas não letais e letais.

O caso Pinheirinho é um exemplo efetivo de campo. Nele “se cometam ou não atrocidades não depende do direito, mas somente da civilidade e do senso ético da polícia que age provisoriamente como soberana” (Id, 181). Nesse sentido, a imprensa foi impossibilitada de entrar na comunidade durante o processo de desalojo. Segundo um membro da polícia militar em vídeo divulgado pelo sítio virtual Passa Palavra tal impedimento se deu por “questão de segurança” 14. Dessa forma, busca-se a instituição de um espaço no qual o que se comete por meio da decisão soberana policial não repercute na estrutura política “democrática”. No entanto, os vídeos da tamanha desproporção da ação policial em ataques nas zonas de triagem criadas pela própria prefeitura e nos abrigos improvisados, assim como os vídeos feitos pelas pessoas dentro da comunidade, expuseram o cerne da democracia representativa brasileira, aquela que se apóia em um poder soberano, que decide sobre vida e morte das pessoas.

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Uma carta de alguns anarquistas

Caros ocupantes,

Uma carta de alguns anarquistas (1)

Tradução: Hurrah: Célula Anarquista Anti-Civilização;

Coletivo Bonnot e

Multidão: uma multidão de lutas(2)

Apoio e solidariedade: Nós ficamos inspirados com a ocupação de Wall Street e nos outros lugares pelo país. Finalmente as pessoas estão tomando as ruas novamente! O “momento” que envolve essas ações tem o potencial de revigorar o protesto e a resistência nesse país. Esperamos que essas ocupações cresçam tanto em número quanto em conteúdo, e que também faça o seu melhor pra contribuir nessa tarefa.

Porque vocês deveriam nos ouvir?: resumindo, porque nós estamos nessa há muito tempo. Nós passamos décadas lutando contra o capitalismo, organizando ocupações e tomando decisões por consenso. Se esse novo movimento não aprender com os erros dos movimentos anteriores nós corremos o risco de repeti-los novamente. Nós resumimos aqui nossas lições conseguidas a duras penas.

Ocupações não tem nada de novo: a terra onde estamos é um território ocupado. Os EUA é fundando sob o extermínio de povos indígenas e pela colonização de suas terras, sem mencionar séculos de escravidão e exploração. Para que uma contra-ocupação tenha significado, deve começar a partir dessa história. Melhor ainda, deve incorporar a história da resistência, desde a auto-defesa indígena, passando pelas revoltas dos escravos, pelos vários movimentos operários e anti-guerra até o atual movimento anti-globalização.

Os “99%” não é um corpo social só, mas vários: alguns ocupantes apresentaram uma narrativa, na qual os “99%” é uma massa homogênea. Os rostos que tentam representar a “massa comum” frequentemente se parecem suspeitamente com os hegemônicos cidadãos classe média, veneradores de leis e brancos que costumamos ver nos programas de televisão, ainda que essas pessoas sejam uma minoria no conjunto da população.

Embranquecer nossa diversidade é uma falha. Nem todo mundo está acordando agora, pela primeira vez para as injustiças do capitalismo; alguns grupos tem sido alvo das estruturas de poder por anos ou gerações. Cidadãos de classe média, que somente agora estão perdendo o seu padrão social podem aprender muito com aqueles que estão sendo vítimas das injustiças há muito mais tempo.

O problema não é somente um bando de “maçãs podres”: a crise não é o resultado da ganância de alguns investidores financeiros; é a consequência inevitável de um sistema econômico que recompensa competições assassinas em todos os níveis sociais. O capitalismo não é um estilo de vida estático, mas um processo dinâmico que consume tudo, transformando o mundo em lucros e escombros. Agora que tudo foi incendiado, o sistema está entrando em colapso, deixando até mesmo os seus parceiros iniciais ao relento. A resposta não é voltar a um estágio anterior do capitalismo – voltar ao padrão ouro, por exemplo; isso não somente é impossível; esses estágios anteriores também não beneficiavam os “99%”. Pra sair dessa bagunça, nós temos que descobrir novas formas de nos relacionar entre si e com o mundo a nossa volta.

Não podemos confiar na polícia: eles podem ser “trabalhadores comuns”, mas seu trabalho é defender os interesses das classes dominantes. Enquanto eles continuarem com vínculos empregatícios como policiais, não podemos contar com eles, independente do quão amistosos eles possam ser. Os ocupantes que ainda não sabem isso, aprenderão logo, assim que eles ameaçarem a estabilidade da riqueza e do poder, na qual nossa sociedade se baseia. Qualquer um que insista que a polícia exista pra servir e proteger, viveu uma vida de obediência e privilégios.

Não fetichize a obediência à lei: leis servem pra proteger os privilégios dos ricos e poderosos; obedece-las não é necessariamente moralmente certo – pode até mesmo ser imoral. A escravidão era legal. Os nazistas também tinham leis. Temos de desenvolver uma consciência forte para fazermos o que nós achamos que é certo, independente das leis vigentes.

Para ter uma diversidade de participantes, um movimento deve criar espaços para diversidade de táticas: é autoritário e egocêntrico achar que você sabe o que cada um deve fazer para melhorar o mundo. Denunciar os ouros somente mune as autoridades com legitimidade, divide e destrói o movimento como um todo. Pensamento crítico e debates impulsionam o movimento pra frente, mas autoritarismos atrofia-o. O objetivo não deve ser convencer todxs(3) a adotar uma tática determinada, mas sim descobrir como abordagens diferentes pode ser mutuamente benéfico.

Não suponha que aqueles que quebram a lei ou confrontam a polícia são agentes provocadores: muitas pessoas têm boas razões para estarem com raiva. Nem todo mundo está conformado com o pacifismo legalista; algumas pessoas ainda se lembrar como se defender por si mesmas. A violência policial não se dá só com a intenção de nos provocar, mas com a intenção de nos ferir e assustar, nos deixando no imobilismo. Nesse caso, auto-defesa é essencial.

Supor que aquelxs, no confronto com as autoridades estão, de alguma forma, de complô com as autoridades não somente é ilógico – deslegitima o espírito necessário pra transformar o status quo, e descarta a coragem daquelxs que estão preparadxs para tal tarefa. Essa alegação elitista é típica de pessoas privilegiadas, que foram ensinadas a obedecer autoridades e temer qualquer um que os desobedeça.

Nenhum governo – quer dizer, nenhum poder centralizado - irá de bom grado, colocar os interesses da população acima dos interesses dos poderosos: é ingênuo ter esperanças nisso. O centro de gravidade desse movimento tem de ser nossa liberdade e autonomia, e o apoio mútuo que pode sustenta-las – não o desejo por um poder centralizado “responsável’. Tal coisa nunca existiu; mesmo em 1789, os revolucionários tocavam uma “democracia” com escravos, além de ricos e pobres.

Isso significa que o importante não é só fazer demandas em cima de nossas leis, mas construir um poder para realizarmos nós mesmxs nossas demandas. Se fizermos isso com eficiência, os poderosos terão de levar nossas demandas a sério, nem que seja na tentativa de atrair nossa atenção ou de nos cooptar. Nós construímos poder desenvolvendo nossa própria força.

Da mesma forma, inúmeros movimentos passados aprenderam da pior forma que estabelecendo sua própria burocracia, ainda que “democrática” somente minamos nossas metas originais. Não devemos dar autoridade à novos “líderes”, nem mesmo à estruturas de tomadas de decisão; devemos encontrar formas de defender e estender nossa liberdade, enquanto abolimos as desigualdades que nos impõem.

As ocupações prosperarão pelas ações que tomarmos: nós não estamos aqui somente para “falar a verdade pro poder”, enquanto somente falarmos, o poder se torna surdo à nossas vozes. Vamos criar espaço para iniciativas autônomas e organizações de ação direta que confrontam as fontes de desigualdades e injustiças.

Obrigado por ouvir/ler, planejar e agir. Talvez os seus sonhos se realizem.

Notas:

(1) Traduzido da Crimethinc ex-workers collective, disponível em: http://www.crimethinc.com/blog/2011/10/07/dear-occupiers-a-letter-from-anarchists/

(2) hurrah@riseup.net; coletivobonnot@gmail.com

(3) Substituímos os pronomes de gênero (“o” e “a”) por “x”. Poderíamos colocar “o/a”, escrever as palavras nas duas versões ou mesmo colocar a “@”, mas ainda sim estaríamos falando a língua dos binarismos. Acreditamos que o “x” é mais eficiente, por conseguir transpor as barreiras do binarismo heteropatriarcal, englobando não só as mulheres, mas também transexuais, travestis, intersex, queers e outrxs! (Nota da tradução).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Para todas as pessoas que se perguntam sobre "Violência" e "Não-violência":















A violência é a medida da austeridade, violência é a chantagem da economia de merchandise, violência é não se casar porque não se tem dinheiro suficiente para alugar uma casa com a pessoa amada, violência é estar desempregado, ou trabalhar em empregos que se odeia, violência é não ter dinheiro para a comida do bebê, ou ter medo de trazer ao mundo um irmão para sua filha porque não se tem dinheiro para manter mais uma criança, violência é a T.V., e Hollywood, e a apatia das massas, violência é odiar sua própria vida, não poder cobrir suas necessidades básicas, perder seus amigos em noites sem fim na frente do PC porque você não tem dinheiro para sair de sua casa, violência é a privatização do Sistema de Saúde, Energia e Água, violência é ter 530 euros por mês por 9 horas de trabalho por dia, violência é não ter dinheiro para viajar para o outro lado do país para visitar seus pais, porque a companhia de transportes subiu os preços das passagens, ou porque a gasolina custa tanto, violência é quando não se tem o dinheiro para pagar o aluguel, violência é Trabalho&Dinheiro&Bancos&Empréstimos& o Parlamento que proteje os interesses privados, violência é a polícia e o exército que protejem a Indústria e a Bolsa de Valores, violência é ver a gente rica escrevendo comentários bobos na Internet sobre a sua luta, e vê-los a distância curtindo sua vida luxuosa em hotéis que você quer tacar fogo, restaurantes que você quer destruir, lojas que você quer tomar, e escritórios que você quer abandonar PARA SEMPRE!

EM TODOS OS LUGARES DO PLANETA!

NÃO VAMOS NUNCA NOS ENTREGAR!

GREVE GERAL SOCIAL!

A LUTA APENAS COMEÇOU!

QUANDO LUTAMOS, ESTAMOS LUTANDO POR NOSSAS VIDAS!


texto de Tasos Sagris/ Void Network

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Em tempos de deserto

 Aos nossos pais, a civilização ofereceu casas nos subúrbios,
 computadores a automóveis. 
       E a civilização entregou.
 Ås crianças desses trabalhadores ela ofereceu
vida na lua, inteligência artificial, paz sem fim. Todos falharam a emergir.
Este mundo não nos oferece nada: não há trabalho que faça sentido, não há descanso, nem futuro, 
somente medo.









O apocalipse não vai acontecer no futuro,
está acontecendo AGORA.




  O apocalipse não vai acontecer no futuro,
está acontecendo AGORA.

    Não é o resultado de nossos pecados pessoais e
não é " a responsabilidade coletiva da humanidade ".
Aquecimento Global ( ou Deus, ou seja lá o que for)
não vai trazer o apocalipse.
O apocalipse começou com o advento da nossa 
forma de vida atual baseada na produção industrial.
É  fácil assumir que
não há alternativa para esta forma de 
vida,
de que a maneira que vivemos no momento presente
é simplesmente um reflexo da maneira
que as coisas são.
Implícito neste senso comum
é o não-tão-escondido entendimento de que
o presente há de se extender indefinidamente até o
futuro,
aos quais ambos fornecem uma medida
de conforto assim como o sentimento de
aprisionamento.
Em tempos de crises, um espaço de liberdade retorna,
e a possibilidade de uma ruptura com o presente se abre.
História,
a muito banida para os tristes livros escolares,
retorna a nós fresca e viva.
Para afastar aquilo que é mais próximo de nós,
nossa própria maneira de viver, e ver isso tudo objetivamente
-isso pode parecer impossível.
Contudo, não é:
o primeiro passo é dar a nossa maneira de viver um nome,
de identificá-la como algo finito em tempo e espaço, tão capaz de 
acabar.
Este presente perpétuo que somente tem
em seu favor ser a certeza
 de sua própria destruição tem um nome:
capitalismo

Texto de
http://zonafreeart.blogspot.com/




quarta-feira, 2 de junho de 2010

De volta ao "Berço da Revolução"

  Void Brasil agora volta de uma viajem que nem parece o mesmo mundo que Atenas...estávamos na nossa querida Chapada Diamantina, assistindo e participando da criação de um novo mundo. Um novo estilo de vida e relacionamentos estão sendo recirados em várias partes do Brasil, e desse nosso mundão...Por onde passamos, as idéias são praticamente as mesmas; " comprar uma terra em algum lugar fértil, e montar uma comunidade voltada para o meio ambiente, interconectividade e uma vida melhor para todos.       

        Um exemplo de que a coisa está mudando num ámbito coletivo foi o festival Nova Terra no Rio de Janeiro que reuniu tribos de todas as partes desde índios das mais variadas partes ao povo da Aldeia da Paz, Yogis, gente como a gente, tenda de permacultura, palestrantes internacionais, aonde se falava sobre tudo, principalmente sobre novas possibilidades e os problemas que enfrentamos para a reconstrução da vida da gente...ao final de cada dia é claro o festival era regado de música de qualidade dos mais variados estilos.

Depois de tudo voltar a Atenas e ver tanta ação ao mesmo tempo até deixa a gente tonto...o povo aqui parece que não para é nunca, neste tempo que tivemos uma vidinha muito relax no Brasil, outra parte do grupo foi aos Estados Unidos e realizou um tour enorme "We are an image from the Future"  dando palestras sobre a insurreição na Grécia , promovendo eventos para integração dos jovens, chegando a certa altura a se dividir em dois grupos, podendo assim cobrir mais locais ,além disso, integrantes do grupo também participaram do festival Anarquista na Holanda. 

        Desde que chegamos aqui ( a uma semana) que não tem dia que atividades das mais variadas se passem em diversas partes de Atenas, começamos com o B-fest "Festival Internacional Antiautoritário" de 26 a 30 de Maio  ( http://bfest.gr/  )  com direito a palestras variadas durante a tarde falando sobre várias das formas de controle na nossa sociedade, e crimes ediondos dos governos . Tivemos a presença de estudantes Americanos (falando sobre a ocupação de sua universidade na Califórnia e o movimento de resistência), de alguns participantes da coletiva Crimethink (também Americana, falava sobre os fim das ideologias e futuros eventos  ), e demuitos outros. A noite mais uma vez música de alta qualidade desde o rock ao dub, psychedelic trance e hip hop. Dentre as várias atrações tivemos Arcana da França , Família Natural High, Athriom, Gloval Eye e Void Laboratory entre muitos outros...

           Nos últimos fins de tarde a cena tem sido em Exarchia "3 Days in the Wolrd" no parque "auto organizado" que o próprio movimento criou, também regado a palestras e boa música...e muita, muita gente boa...Haja energia! Também desde a estória do barco com os palestinos que o exército israelense atacou, matou e sequestrou, muita gente daqui foi lá no consulado de Israel aqui em Atenas bater pé e exigir atitudes mais humanas. E estão lá agora, prestando solidariedade, exigindo uma postura mais descente deste governo, que está se tornando o pior governo do mundo...

           E nesse próximo fim de semana como não podemos deixar de mencionar será a celebração dos 20 anos de Void Network. Grande evento com Mark Allen a ser postado a seguir. Neste mesmo fim de semana, outros 3 eventos de grande porte se realizarão na cidade fervilhante! Tudo é claro metodicamente preparado para fazer o público pensar, e encobrir os mais corajosos que desejem expressar , ou mesmo "causar" pela sua vontade de liberação por um mundo melhor para todos.

         Devido a problemas técnicos com a Inrternet ainda não foi possível fazer o upload das fotos dos eventos, assim que a conexão permitir, essas serão postadas também.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Uma proposta para começar a viver de outras formas: Cooperativas Integrais












Como viver sem Capitalismo


A insatisfação em relação ao modelo de vida atual gera diversos projetos para viver e relacionar-se de outras maneiras, muitas iniciativas para tratar de ser menos dependentes do sistema. Umas se realizaram, outras morrem dentro do imaginário pessoal de alguns de nós, seja pelo medo da mudança ou pela razão que seja. Entretanto, muitas vezes depreciamos o potencial que temos, todas aquelas pessoas que desprezamos o modelo atual. Se além disso somamos a freqüente desorganização entre os vários projetos alternativos, o estabelecimento de uma iniciativa integral e transversal que aglutine muitos dos esforços que atualmente se realizam de forma isolada, parece algo inatingível.
Existe uma forma jurídica que tem muitas possibilidades ainda pouco exploradas e que poderia converter-se em uma ferramenta para nos ajudar nesse processo de independência progressiva do mercado e do Estado. Trata-se das cooperativas (...) O maior potencial desta ferramenta reside em suas combinações, as quais permitem fazer crescer a atividade econômica interna entre seus membros. As leis prevêem a existência de cooperativas mistas e/ou integrais, dependendo das leis autonômicas ou estatais. Elas têm que nascer da multiplicidade de diferentes tipos de cooperativas, como as de serviço e consumo, dando-lhes legalidade jurídica sob o nome de Cooperativas Integrais, pois a ideia de integrar a cooperação nos diferentes elementos da nossa vida é a que nos move.
A proposta das Cooperativas Integrais surge, portanto, com o objetivo de criar um modelos que nos permita construir um espaço de relações econômicas auto-gestionadas entre os participantes, que esteja blindado contra os embargos privados ou públicos e que minimize de forma totalmente legal o pagamento de impostos e quotas à Seguridade Social, nos protegendo de todas as formas possíveis da ação dos Bancos e do Estado.
Trata-se de uma forma jurídica legal de transição que nos permitirá construir, desde o âmbito mais local, uma maneira de viver onde nem os Bancos (hipotecas, dívidas e o que isso comporte) nem o Estado (como ente que permite que, para ter cobertas as necessidades básicas, temos que vender muito mal nossa força de trabalho e saber) sejam necessários.
(...) O patrimônio de uma cooperativa, constituído a partir das aportações econômicas do seus sócios, não é embargável. Assim, essa é uma maneira de proteger nossos bens, de outra maneira embargáveis se nos convertemos em devedores a título particular. O único requisito imprescindível de funcionamento dessa cooperativa para que nos proteja será que, a pesar de formar parte dela e ter dívidas pessoais, ninguém poderá se endividar em nome da cooperativa, já que os bens e dinheiro desta só podem ser embargados pelas próprias dívidas da cooperativa, não pelas dívidas dos seus membros.
Dentro da cooperativa integral haverá pelo menos sócios de serviços com atividade econômica e sócios de consumo. Em relação aos sócios de serviços, cada unidade produtiva terá uma conta a nome da cooperativa para receber dos clientes e pagar aos provedores. Uma pessoas com conhecimentos de contabilidade da Comissão Econômica se encargará de zelar pelo seu bom funcionamento, para evitar qualquer risco para o conjunto da cooperativa. Os serviços dessa pessoa, assim como outros gastos comuns que possam surgir, serão pagos com um fundo comum (pensem que estaremos economizando, por exemplo, com gastos de gestão e o pagamento de boa parte de quotas de autônomos).
Em relação à cooperativa de consumo, existirá uma única conta unitária a nome da cooperativa, gestionada também pela Comissão Econômica para as compras coletivas, onde também será possível enviar recibos pessoais a domicílio (o que é útil para pessoas endividadas); com a ajuda da Comissão de Consumo Consciente se oferecerá formação e acompanhamento em temas de redução de consumo (água, energia) e no uso de ferramentas que minimizem os custos (telefonia por internet, etc).
Uma Comissão de Auto-Ocupação se encarregará de identificar e recompilar as tarefas que são úteis para a coletividade e oferecerá formação, apoio ou acompanhamento as pessoas que estejam buscando trabalho, ou que queiram mudar de serviço, com a finalidade de cobrir as necessidades da cooperativa, assim como para fazer que quem quer que seja possa encontrar seu espaço e utilidade dentro do projeto.
Um dos principais objetivos da cooperativa será garantir as necessidades básicas (alimentação, moradia, saúde, educação) de seus membros. Para poder alcançar este objetivo, será promovida a troca de mãos (e não o intercâmbio) [no original: "el cambio de manos (que no intercambio)"] gratuito de objetos através de lojas grátis e armazéns, onde deixaremos aquilo que já não utilizamos e onde podemos pegar, sempre que queiramos, tudo aquilo que necessitamos; priorizando assim o conceito de uso sobre o de propriedade (...). Assim, o único bem que se intercambiará será o tempo dos associados e não os bens materiais. Por exemplo: você arruma um vazamento de água para mim e eu te ofereço meu tempo e meus conhecimentos para o que você necessite. A moeda de troca será as horas utilizadas para cada tarefa. Um grupo de trabalho se encarregará de dinamizar o intercâmbio de horas com a finalidade de conseguir potencializar ao máximo as relações econômicas sem dinheiro.
Para gestionar as relações econômicas com outras cooperativas e projetos afins, será potencializado o intercâmbio de bens e serviços (quantificando as horas de trabalho mediante um registro de horas) através da Comissão de Intercâmbios Externos. Dado que é recomendável que cada cooperativa tenha um máximo de 100 associados, esta comissão poderá dispor da vantagem de conhecer de perto quais as necessidades básicas para cobrir dentro de cada cooperativa, assim como de conhecer os membros que formam parte; relações de confiança que facilitarão a agilidade do dia a dia.
As cooperativas se formarão por grupos de afinidade. Por tanto, o primeiro passo para formar parte de uma Cooperativa Integral será manifestar o interesse por parte dos grupos afins (amigos, famílias, companheiros de moradia, etc.) ou de pessoas individualmente, através do formulário que se encontra na web http://www.17-s.info . A partir de aqui ajudaremos para que as pessoas próximas possam começar a colocar-se em contato, para que, quando sejam suficientes, possam conhecer-se pessoalmente e começar o processo de criação.
Provavelmente não será um caminho fácil de seguir, mas seguramente será muito mais interessante que o trabalho rotineiro, o individualismo e a servidão voluntária. Muito menos temos exemplos concretos a seguir, pois é uma ideia que pretende ser uma forte semente para a auto-organização social. Por todo o mundo, alternativas que levam bastante tempo funcionando, como as cooperativas de consumo ecológico, as redes de intercâmbio, as moedas complementárias e a economia solidária, buscam objetivos similares através de enfoques distintos. Esta contribuição das Cooperativas Integrais quer ajudar a criar uma metodologia para integrar muitas ideias com as novas necessidades vitais de muitas pessoas em momentos de crise. Nos organizaremos para viver muito melhor?

Para participar entrar em: http://www.17-s.info Para mais informação, metodologia e passos a seguir: http://www.17-s.info/node/817
integrales@sincapitalismo.net
links de interesse: Epaço de recursos para povos que queiram por em marcha uma transição em direção a um mundo de baixo consumo de energia. Esta rede está inspirada no movimento das Transition Towns dos países anglo-saxãos -
http://movimientotransicion.pbwiki.com/intro
Rede de economia solidária -
http://www.economiasolidaria.org
Rede para fazer coisas sem dinheiro -
http://www.sindinero.org
texto de :
http://www.17-s.info/node/1231

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

1990-2010 // 20ANOS DE VOID NETWORK





















VOID NETWORK começando as celebrações de 1990-2010 pelos 20 anos de ativismo cultural político e social non-stop publica aqui uma visão geral introdutória de seu trabalho, entrevista de Jovenes en Resistencia Alternativa (Jovens para Resistência Alternativa) na Cidade do México em Outubro 2008


Entrevista com Void Network to J.R.A. para o seminário sobre <> Ferramentas de Comunicação//Outubro de 2008


Quando, Porque e Como foi criada Void Network?


"Void Network apareceu primeiro em 1990 em Atenas tendo como alvo a radicalização da vida nossa de cada dia e a construção de situações em Espaço Público através da criação de Ambientes PúblicosTemporários Utópicos. Acreditando que não há possibilidade de a sociedade mudar enquanto as pessoas continuam do mesmo jeito, nós trabalhamos como um mecanismo reprogramador, tentando através da nossa influência ativa lutar contra a apatia e apoiar todos os tipos de jovens mutantes ( freaks, hippy ravers, pessoas do hip hop, hardcore punks, maníaco depressivos, melancólicos, Góticos, intelectuais , artistas, etc ) a sustentarem suas diferenças, para alcançar visibilidade no espaço público e agir como seres politica e socialmente conscientes, participando com suas próprias formas autônomas e independentes para as lutas sociais dos nossos tempos. Nosso trabalho é em sua maioria a influência positiva para o surgimento de uma mente crítica pessoal e a transformação da velha e chata política de esquerda em uma entusiasta coletiva urbana de espaços de resistência.

Void Network começou em 1990 como um grupo de 15 (ou mais) amigos chegados que, através de encontros diários em todos os tipos de espaços urbanos, sentiram a necessidade de manifestar o entusiasmo de sua co-existência em espaços públicos...Alguns deles tinham rock ou bandas eletrônicas experimentais, alguns eram pintores, poetas, fotógrafos, mágicos amadores, mitologistas urbanos doidos, networkers, techno-visionários, astro-físicos, antropologistas, planeadores urbanos, arquitetos,, D.J.s, artistas visuais, ou simplesmente, todos aqueles filhos da mãe com necessidade de destruir qualquer tipo de autoridade moderna para o benefício do Caos e Amor eterno...Todos estes juntos, nós os chamamos de ativistas culturais, artistas de expressões multifacetadas, viajantes do espaço, seres em êxtase...Foi o amor e o fato da compreensão da interdependência dos nossos separados conhecimentos individuais, ciências, sentimentos, idéias e atividades políticas que nos manteram juntos...Ano após anonos demos contas que cada um de nós estava incompleto sem a sabedoria, o amor e carinho de todos os outros...Interdependência é a palavra chave...Nós sentimos que através da participação nesta coletiva urbana, auto-inventada e auto-organizada poderíamos alcançar identidade e manifestar momentos de vida real que jamais poderíamos viver sozinhos...Nos demos contas que ser um indivíduo sozinho preso em seus próprios interesses é uma normalidade, mas em culturas do passado, esse isolamento era uma forma de punição...A palavra inglesa <<>> vem de uma palavra Grega  <<>> que é aquele que não participa na vida política e social comum, aquele que não tem, e não expressa sua opinião em público, este que tem apenas interesses privados (idiotika-stupid)...A partir desse momento ainda no início de tudo nós começamos a olhar para este mundo e os indivíduos da burguesia  de uma maneira completamente diferente.

Depois de 2000 Void Network se transformou numa coletiva internacional com psychonautas ativos na Inglaterra, Alemanha, Brazil e Estados Unidos. Isto aconteceu através de viajens internacionais para situações de Void Network que terminaram em uma grande amizade e colaboração criativa com alguns amigos novos, maravilhosos, e criativos e coletivas de todos os lugares que já fomos como coletiva ( este processo é sempre aberto).

A manifestação de Void Network acontece em espaços públicos, areas da universidade, centros sociais autônomos, prédios abandonados ocupados (squats), e quartos de arte independente através de  Diálogos Abertos Públicos, palestras de multi mídia e shows de poesia,  festivais abertos gratuitos, multi-telão Atmosfera Void Optical Arts ( colaborações ao vivo de plataformas cruzadas entre artistas plásticos, fotógrafos, poetas, professores, DJs, músicos, etc.), performances, documentários, respresentações, culture jamming, organização de protestos, street parades e ações públicas, celebrações, concertos, e workshops abertos colaborativos. Na Void Network artistas, activistas, cientistas acadêmicos e amigos espirituais trabalham juntos através do diálogo, interação e atividades sincronizadas e eles manifestam condições de várias formas de acesso aberto a criatividade, educação, informação gratuita, zonas públicas autônomas liberadas abertas, pontos de encontro, locais de comunicação,  empatia, expressão e criação para milhares e milhares de pessoas.



Como vocês se organizam, e como se comunicam em cada país e internacionalmente com as diferentes seções da coletiva?


Void Network não é uma organização, uma típica formal organização. Void Network é uma companhia de amigos que se encontram informalmente quase todos os dias, o que significa que não temos um dia específico de assembléia. Generalmente falando desde os primeiros dias até agora nós expressamos um esforço psicológico para separar nossas formas que nos organizamos da clássica e sem graça maneira de organização da esquerda...De qualquer jeito, nós nos encontramos porque nós queremos, e não porque nós temos que..., quem quer que seja que não queira participar em uma ação não tem que ir, não existe nenhum sentimento de obrigação para nenhum objetivo específico que tenha que ser alcançado ou que seja mais importante que o sentimento pessoal, o sentimento pessoal tem seu alto respeito, e as necessidades da coletiva não são mais importantes  do que as necessidades pessoais...Desta maneira nós somos completamente diferentes de qualquer tipo de organização de esquerda que através de paternalismo e controle psicológico manipulam os sentimentos, as relações e as necessidades pessoais para o benefício de uma meta ideológica comum ( esta deveria ser mais importante). Dentro da Void Network não há nenhum gol coletivo mais importante do que os esforços para alcançar os melhores sentimento de coexistência e amor...De maneira prática, O amor há de salvar a todos nós...Contanto que se sinta amor, confiança, ajuda mútua e recíproca de energia com os seus amigos, partindo destes princípios, você pode fazer tudo, até coisas que você nunca imaginou...Em alguns períodos, ( em aproximadamente cada 3 ou 4 meses ) nós fazemos algumas assembléias que nós chamamos de Void Cycle...na casa de algum amigo diferente cada vez ou em algum parque público no verão para falarmos sobre nossos sentimentos em geral, para rearranjar o compromisso e para focar nas estratégias e situações futuras por vir. É claro, no centro de Atenas a 4 anos atrás nós criamos, juntamente a outras coletivas o centro social Nosotros, aonde nós nos encontramos também de uma maneira informal e discutimos sobre os eventos que queremos realizar, assim como participamos das assembléias abertas do centro social e tentando trazer em contacto com a parte funcional do centro social o máximo de pessoas interessantes e criativas que seja possível na nossa cidade. O mais importante é que não temos uma pessoa específica para realizar um trabalho específico, todos nós realizamos o trabalho todo, e nos encontramos no dia a dia e toda noite expandimos nossas visões e desejos e sonhos sobre Void Network, qualquer tipo de debate, criticismo ou análise se torna ação pública, qualquer tipo de idéia pessoal se torna sonho coletivo, qualquer tipo de inspiração individual se torna ecstasy coletivo.

É do mesmo jeito com as células internacionais...Nós convidamos as pessoas de outros países a virem e ficarem em nossas casas por alguns meses, e nós fazemos o que podemos para viajarmos também e encontrá-los...é a melhor maneira de comunicação, assim como de criatividade, porque principalmente nós também nos encontramos <<>>, isto significa nos encontramos no processo em que criamos todos juntos uma situação, um evento, um show público, qualquer tipo de aparição pública....É claro que também usamos Internet, e.mails e o blog da Void Network como uma maneira de seguir e  informar tudo para cada célula sobre as ações absolutamente independentes que cada uma das outras células  está tomando.

Nós temos um e.mail que é o mesmo em todos os países que que todos os amigos tem o password e acesso, então eles podem estar informados ( se quiserem) sobre todas as mensagens que nós recebemos e enviamos e de acordo com o interesse e fócus de cada pessoa, para começarmos a falar mais a frente, expressarmos opiniões, inventar idéias, para participar...




Que tipos de ferramentas educativas ou workshops vocês utilizam?


Ferramentas educativas...primeiro de tudo  Void Network Global Eye ativistas de multi media, juntamente a Atenas Void Network começaram com a criação da Global Offering Academy como uma plataforma pública filosófica e prática de encontro para dividir ferramentas, materiais e idéias.

O principal projeto de Global Offering Academy é trazer fisicamente juntas pessoas criativas desejando se comprometer com muitos problemas diferentes, se ajudar a se prepararem melhor para formar e reforçarem seus sonhos, prover uma rede de amigos chegados para futuras colaborações e apoio.

Nosso plano é que enquanto exploramos nosso planeta Terra numa séria de lucais sejam urbanos ou naturais, conhecer gente com uma mente parecida, positiva e revolucionária do mundo todo, passando qualquer coisa entre alguns dias ou alguns meses ensinando uns aos outros, aprendendo através de projetos de experiências colaborativas, trocando informação e inspiração, criando, dividindo, crescendo e fazendo juntos grandes festivais gratuitos abertos ao público como uma conclusão destes encontros.

Nossa programação diária é simples; Todo indivíduo sendo ambos,  estudante e professor, com o objetivo de possuir o conhecimento coletivo do grupo todo. Dividindo e trocando informações práticas, tecnologias, trabalhos artísticos  e habilidades nas manhãs, colocando tudo que foi aprendido numa prática criativa de colaboração à tarde e à noite celebrando o tempo livre. Ao final de cada Global Earth Academy, os resultados do cruzamento de todas as plataformas colaborativas serão apresentados na forma de shows artísticos interativos permitindo ao público uma interação social com a comunidade local e o resto do mundo.

Habilidades a serem trocadas e postas em prática: mídia, fotografia, música, pintura, desenho, escultura, performance, grafic design, fashion, teatro, dança, poesia, filosofia política, antropologia, cultivo espiritual, confiança, determinação, ciência, eletrônica, software, sobrevivência sustentável, movimento cultural, sobrevivência urbana sem dinheiro, ocupação de propriedades vazias, sobrevivência no "deserto", aikido zen, reiki, meditação, nutrição, saúde, comunicação, filosofia, economia utópica non-profit , underground anti-business, gestão pirática, viajens, colaborações, Consciência cosmo-política, felicidade, empatia,sabedoria...

As ferramentas educativas que utilizamos é o discurso, discussões e explicações sobre o que fazemos e a vontade de dividirmos nossa experiência e trabalho. Nossas ferramentas educativas não são máquinas ou computadores. São as discussões ao vivo entre ativistas e amigos. Também nos encontros com novos artistas, grupos, Djs, artistas visuais ou teóricos e o convite para fazer parte de nossos eventos assim como lhes oferecer a chance de expressar sua mensagem e sua arte para milhares de pessoas, um processo que lohes oferece um forte reforço para continuar trabalhando com a cena underground e se tornar melhor e melhor.

 


Pensando teoriacamente sobre as ferramentas de comunicação e as visões sobre a comunicação

 

Como nós não queremos ser uma "construção ideológica de mente abstrata trazendo a  verdade e salvação para as pessoas" nós nos negamos a obter contacto e aderessar nossa mensagem para as pessoas de vida normal que através de sua apatia e obediência, sustentam o sistema global de injustiça e exploração e tentamos juntar o maior número   possível de pessoas que deram sozinhas o primeiro passo em direção a negar a autoridade e supressão das elites políticas e financeiras deste país. Para nós, como Oscar Wilde estava dizendo sobre os moralistas, as pessoas "faça bem", as massas de pobres  virtuosos trabalhadores obedientes, os leitores de tablóides de jornais e conformistas procurando apenas por uma vida privada confortável: " eles fizeram termos privados e contratos com o inimigo e venderam seu direito de nascença por preços muito ruins". Nós sabemos que existem muitas partes racionais e funções da vida normal que na realidade são mecanismos paranóicos  de totalitarismo e fascismo, mas todos eles podem ser explicafdos pelo cidadão normal como racionais, e sem razão real para se lutar contra. O conceito de normalidade, assim como este de um senso comum que leva a apatia, é altamente suspeito para nós, assim como para todas as tradições liberais e anarquistas, e nós poderíamos aceitar o conselho de Michel Foucault que "talvez o  o alvo hoje em dia não seja descobrir o que somos, mas rejeitar aquilo que somos"...O que somos, Foucault diz,"pode significar sermos conformistas e submissivos, aceitando as identidades políticas e sociais que acontece de nós herdarmos historicamente como se estas fossem naturais e imutáveis"...por outro lado nós acreditamos que existem milhões e milhões de pessoas pelo planeta Terra prontos a participarem na luta social pela liberação e igualdade...e esses são nossos amigos, nossa gente, nossos camaradas....Nossas artes, nossos discursos, nossas ações, nossos encontros, são dedicados e direcionados a eles...Isso não é um show artístico, isto não é política nem propaganda...são as nossas Vidas...Quando lutamos, lutamos por nossas vidas...Nós criamos Atmosferas Utópicas, Zonas Públicas Liberadas, Zonas Autônomas Temporárias, squats e centros sociais como zonas de acolhimento a todas as pessoas são zonas dedicadas a escaparem do senso comum, para o anti-conformismopessoas, que decidiram pular nas terras desconhecidas da negação, autonomia, auto-organização e consciência crítica...Há milhões de pessoas em todos aqueles anos que tomaram uma viajem, ou se negaram a trabalhar, ou arranjaram uma van, um trem para uma terra distante, saíram para as montanhas, escaparam para as áreassecretas da cidade, para clubs underground, e quartos sujos de squats pelo mundo afora...Eles se desconectaram...eles partiram, foram embora...Nós gostaríamos, após a nossa desconexão de termos locais para nos encontrarmos novamente, uma posição para apoiar, direções visionárias para seguir e viajarmos todos juntos...Muitos dos que se foram se perderam...e nunca chegaram a lugar nenhum...nossa estratégia por sua vez é a seguinte : Para imediatamente uma série de localidades e condições de focus para todos os tipos de deserções, polos de secessão, pontos de encontro. Para os fugitivos, estes que escaparam, para aqueles que partiram, uma rede de locais acolhedores para abrigo fora do controle de uma civilização que se direciona para um abismo...Quando lutamos, lutamos pelos nossos amigos, as pessoas que amamos, por todas as pessoas que eles revoltam, e com o poder de sua revolta, eles escaparam...A "outa" comunicação é uma comunicação em profundidade, uma comunicação ao vivo não uma de esqueletos, uma comunicação cara a cara e não somente pela tela do cumputador.

Há a comunicação local com os grupos e com as coletivas na nossa cidadeem nosso país e há a comunicação global com grupos, coletivas fora de nosso país, nos E.U.A., Europa, Balkans , Ásia...

A comunicação Global precisa é claro do uso da Internet, mas que tipo de comunicação global? Pode ser que nos conheçamos mas não fazemos nada juntos. O ponto é que deveríamos nos organizar e fazermos coisas juntos, eventos, palestras, festas, marchas como um verdadeiro movimento internacional...Acharmos as coletivas que sentimos que se importam com as outras, que gostamos uns dos outros e co-ordenamos eventos internacionais juntos, por todo o planeta...ao dividirmos programas comuns, palestras, documentários, shows visuais, música gravada, organizando o mesmo evento em locais diferentes do planeta no mesmo dia, dividindo poder e recursos...Porque o problema não é que não possamos achar uns aos outros, mas que não podemos nos encontrar...E a melhor maneira de nos encontrarmos é "no palco", nas ruas, nos centros sociais, numa situaçãocriada coletivamente, num dia de luta global, no espaço esférico das lutas globais co-organizadas e em sintonia.

A Void Network começou em 2003 e vai continuar no futuro o TOTAL FREEDOM Global Tour como  convite e ferramenta de colaboração das células internacionais e grupos da Void Network com ativistas locais, coletivas e artistas de muitas áreas diferentes deste planeta...Nós vemos isto como uma maneira maravilhosa de  conhecermos outras pessoas não como artistas convidados de uma terra distante, mas como co-criadores de festivais multi-elementais de uma terra distante...Nós acreditamos que uma vida nomadica ativa tem muito o que oferecer como uma experiência pessoal e como um duplo sentido divisão de inspiração para os viajantes e também  para as pessoas que oferecem hospitalidade a eles...Nós gostaríamos a qualquer momento,  de estarmos prontos para realizarmos o objetivo de oferecer hospitalidade, solidariedade e dividirmos nossas habilidades e fontes de material com o maior número de gente revoltada o possível que esteja precisando...

 


Através de seu trabalho e sua experiência quais foram os problemas e limitações que vocês encararam? Quais foram as coisas que funcionaram e quais foram as coisas que não funcionaram?Quais são os limites das suas ações, os desafios e os problemas que vocês encaram?

 

As vezes, nos sentimos como que não somos gente o suficiente...que queremos fazer muitas coisas, mas que não temos pessoas o suficiente, ou que não temos suficiente força mental ou física. O problema mais importante é que não dedicamos o tanto de tempo que se precisa para se trabalhar e viajar coletivamente...alguns de nós estão na universidade...alguns trabalhando...alguyns estão com medo de se jogar, de escapar da normalidade...alguns de nós estão com medo de realmente colocar em práticaseus sonhos, têm medo de expressar abertamente aquilo que acreditam e seus verdadeiros desejos...O tempo que oferecemos para resolvermos nossos problemas individuais nos mantém a parte de nos darmos conta que os problemas que temos são os mesmos e que há apenas maneira coletivas de resolvê-los...é uma questão de darmos sentido a nós mesmos, de encontrarmos uma balança aonde todas aquelas questões aos quais quando você tenta resolver separadamente pode lhe levar a depressão, podem ser resolvidos. Como nos livrarmos de todas as dependências que nos enfraquecem? Como nos organizarmos de maneira que não tenhamos mais que trabalhar? Como nos fixarmos além da toxicidade das metrópolis sem  " sair para o campo"?Como ajudar os amigos que caem em depressão sem precisar de um psiquiatra?...Como lutar constantemente sem voltar para as nossas vidas de todos os dias depois de cada festa ou protesto?...Como compartilhar nossos interesses e nos sentirmos todos incluídos?...Como vivermos todos juntos sem dominarmos uns aos outros mutuamente?...Como não se tornar um gueto social ou cultural fechado?...Como não nos tornarmos chatos uns para os outros?...Como reagir a morte ou ao aprisionamento de um de nossos camaradas?...Como destruir o império?...Nós conhecemos nossas fraquezas; nós nascemos e temos crescido em sociedades pacificadas, perdidos e achados no medo da separação, incapazes de participar e nos abrirmos, alienados em um espaço urbano que se expande como um deserto em nossos corações...Nós não temos tanto quanto nós realmente precisamos, a oportunidade de adquirir a consistência que os momentos de confrontos coletivos intensos e o compartilhar  de felicidade coletiva podem nos dar...Sentimos falta também do conhecimento e das habilidades que a estes são ligados...Temos que criar novas formas de vida social e novas formas de educação política juntos...Uma educação teórica e prática...Para isso precisamos de locais, situações, atmosferas e condições...Locais para nos organizarmos, condições para dividirmos, atmosferas para nos desenvolvermos e cooperarmos...Não há questões morais na maneira em que provemos a nós mesmos os sentidos de viver e de lutar,  mas uma questão táctica dos sentidos que damos a nós mesmos e como os usamos...Como alguns amigos estavam escrevendo em um livro underground " a expressão do capitalismo em nossas vidas é a tristeza". A grande questão agora é estabelecer as condições materiais para um prazer ecstático conflituoso compartilhados entre todos nós com Compaixão e Sabedoria...Quando lutamos, nós lutamos pelas nossas vidas...De agora em diante, todas as amizades serão Revolucionárias!

Texto: Void Network

Teoria, Utopia, Empatia, Artes Efêmeras

1990 / 2010